Não vás para o jardim florido!
Ó amigo! Não te voltes para lá;
É em ti que se encontra esse jardim.
Escolhe teu lugar entre as mil pétalas
do lótus, e contempla desse posto
a Beleza Infinita.
Dentro deste vaso de barro
encontram-se os canteiros e os bosques,
e nele está o Criador.
Neste vaso estão os sete oceanos
e um sem-número de estrelas.
A pedra filosofal e o que louvam suas virtudes
estão em seu interior;
E neste vaso o Eterno soa, e a fonte mana.
Kabir diz: "Escuta, amigo! Meu Bem-Amado Senhor
está em teu interior!"
A Ti atraíste meu amor, ó Fakir!
Eu estava adormecido e abandonado
à minha sorte e Tu me despertaste,
sacudindo-me com Tua voz, ó Fakir!
Eu estava afogando-me nas profundezas
do oceano deste mundo e Tu me salvaste
sustendo-me em Teu braço, ó Fakir!
Uma palavra Tua - não duas - e fizeste-me
romper todos os meus cativeiros, ó Fakir!
Kabir diz: "Uniste Teu coração ao meu, ó Fakir!"
Ó Servidor! Onde estás a Me procurar?
Olha! Estou a teu lado.
Eu não estou nem no templo nem na mesquita.
Não me encontro na Caaba muçulmana
ou no Kailash dos deuses hindus:
Não estou nos rituais e cerimônias,
tampouco no ioga e nas mortificações.
Se és buscador sincero, em breve me verás:
chegará o momento de encontrar-Me.
Kabir diz: "Ó Sadhu! Deus é a respiração
de tudo o que respira".
O rio e suas ondas são um mesmo fluxo:
qual a diferença entre o rio e suas ondas?
Quando se crispa a onda, é a água que se eleva;
e quando a onda cai, é novamente e ainda
água. Dize-me Senhor, a diferença:
por ter sido denominada onda, não mais devemos
considerá-la água?
No seio do Supremo Brahma, os mundos alinham-se
como contas:
Contempla esse rosário
com os olhos da sabedoria.
Kabir
terça-feira, 17 de novembro de 2009
terça-feira, 10 de novembro de 2009
sábado, 7 de novembro de 2009
Cinquenta e nove
3
Jesus disse: "Se aqueles que vos guiam disserem, 'Olhem, o reino está no céu', então, os pássaros do céu vos precederão, se vos disserem que está no mar, então, os peixes vos precederão. Pois bem, o reino está dentro de vós, e também está em vosso exterior. Quando conseguirdes conhecer a vós mesmos, então, sereis conhecidos e compreendereis que sois filhos do Pai vivo. Mas, se não vos conhecerdes, vivereis na pobreza e sereis essa pobreza."
Jesus disse: "Se aqueles que vos guiam disserem, 'Olhem, o reino está no céu', então, os pássaros do céu vos precederão, se vos disserem que está no mar, então, os peixes vos precederão. Pois bem, o reino está dentro de vós, e também está em vosso exterior. Quando conseguirdes conhecer a vós mesmos, então, sereis conhecidos e compreendereis que sois filhos do Pai vivo. Mas, se não vos conhecerdes, vivereis na pobreza e sereis essa pobreza."
Cinquenta e oito
VII
1. Não julgueis, e não sereis julgados.
2. Porque do mesmo modo que julgardes, sereis também vós julgados e, com a medida com que tiverdes medido, também vós sereis medidos.
3. Por que olhas a palha que está no olho do teu irmão e não vês a trave que está no teu?
4. Como ousas dizer a teu irmão: Deixa-me tirar a palha do teu olho, quando tens uma trave no teu?
5. Hipócrita! Tira primeiro a trave de teu olho e assim verás para tirar a palha do olho do teu irmão.
6. Não lanceis aos cães as coisas santas, não atireis aos porcos as vossas pérolas, para que não as calquem com os seus pés, e, voltando-se contra vós, vos despedacem.
7. Pedi e se vos dará. Buscai e achareis. Batei e vos será aberto.
8. Porque todo aquele que pede, recebe. Quem busca, acha. A quem bate, abrir-se-á.
9. Quem dentre vós dará uma pedra a seu filho, se este lhe pedir pão?
10. E, se lhe pedir um peixe, dar-lhe-á uma serpente?
11. Se vós, pois, que sois maus, sabeis dar boas coisas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai celeste dará boas coisas aos que lhe pedirem.
12. Tudo o que quereis que os homens vos façam, fazei-o vós a eles. Esta é a lei e os profetas.
13. Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduzem à perdição e numerosos são os que por aí entram.
14. Estreita, porém, é a porta e apertado o caminho da vida e raros são os que o encontram.
15. Guardai-vos dos falsos profetas. Eles vêm a vós disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos arrebatadores.
16. Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinhos e figos dos abrolhos?
17. Toda árvore boa dá bons frutos; toda árvore má dá maus frutos.
18. Uma árvore boa não pode dar maus frutos; nem uma árvore má, bons frutos.
19. Toda árvore que não der bons frutos será cortada e lançada ao fogo.
20. Pelos seus frutos os conhecereis.
21. Nem todo aquele que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos céus, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus.
22. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não pregamos nós em vosso nome, e não foi em vosso nome que expulsamos os demônios e fizemos muitos milagres?
23. E, no entanto, eu lhes direi: Nunca vos conheci. Retirai-vos de mim, operários maus!
24. Aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as põe em prática é semelhante a um homem prudente, que edificou sua casa sobre a rocha.
25. Caiu a chuva, vieram as enchentes, sopraram os ventos e investiram contra aquela casa; ela, porém, não caiu, porque estava edificada na rocha.
26. Mas aquele que ouve as minhas palavras e não as põe em prática é semelhante a um homem insensato, que construiu sua casa na areia.
27. Caiu a chuva, vieram as enchentes, sopraram os ventos e investiram contra aquela casa; ela caiu e grande foi a sua ruína.
28. Quando Jesus terminou o discurso, a multidão ficou impressionada com a sua doutrina.
29. Com efeito, ele a ensinava como quem tinha autoridade e não como os seus escribas.
1. Não julgueis, e não sereis julgados.
2. Porque do mesmo modo que julgardes, sereis também vós julgados e, com a medida com que tiverdes medido, também vós sereis medidos.
3. Por que olhas a palha que está no olho do teu irmão e não vês a trave que está no teu?
4. Como ousas dizer a teu irmão: Deixa-me tirar a palha do teu olho, quando tens uma trave no teu?
5. Hipócrita! Tira primeiro a trave de teu olho e assim verás para tirar a palha do olho do teu irmão.
6. Não lanceis aos cães as coisas santas, não atireis aos porcos as vossas pérolas, para que não as calquem com os seus pés, e, voltando-se contra vós, vos despedacem.
7. Pedi e se vos dará. Buscai e achareis. Batei e vos será aberto.
8. Porque todo aquele que pede, recebe. Quem busca, acha. A quem bate, abrir-se-á.
9. Quem dentre vós dará uma pedra a seu filho, se este lhe pedir pão?
10. E, se lhe pedir um peixe, dar-lhe-á uma serpente?
11. Se vós, pois, que sois maus, sabeis dar boas coisas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai celeste dará boas coisas aos que lhe pedirem.
12. Tudo o que quereis que os homens vos façam, fazei-o vós a eles. Esta é a lei e os profetas.
13. Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduzem à perdição e numerosos são os que por aí entram.
14. Estreita, porém, é a porta e apertado o caminho da vida e raros são os que o encontram.
15. Guardai-vos dos falsos profetas. Eles vêm a vós disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos arrebatadores.
16. Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinhos e figos dos abrolhos?
17. Toda árvore boa dá bons frutos; toda árvore má dá maus frutos.
18. Uma árvore boa não pode dar maus frutos; nem uma árvore má, bons frutos.
19. Toda árvore que não der bons frutos será cortada e lançada ao fogo.
20. Pelos seus frutos os conhecereis.
21. Nem todo aquele que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos céus, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus.
22. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não pregamos nós em vosso nome, e não foi em vosso nome que expulsamos os demônios e fizemos muitos milagres?
23. E, no entanto, eu lhes direi: Nunca vos conheci. Retirai-vos de mim, operários maus!
24. Aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as põe em prática é semelhante a um homem prudente, que edificou sua casa sobre a rocha.
25. Caiu a chuva, vieram as enchentes, sopraram os ventos e investiram contra aquela casa; ela, porém, não caiu, porque estava edificada na rocha.
26. Mas aquele que ouve as minhas palavras e não as põe em prática é semelhante a um homem insensato, que construiu sua casa na areia.
27. Caiu a chuva, vieram as enchentes, sopraram os ventos e investiram contra aquela casa; ela caiu e grande foi a sua ruína.
28. Quando Jesus terminou o discurso, a multidão ficou impressionada com a sua doutrina.
29. Com efeito, ele a ensinava como quem tinha autoridade e não como os seus escribas.
Cinquenta e sete
VI
1. Guardai-vos de fazer vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles. Do contrário, não tereis recompensa junto de vosso Pai que está no céu.
2. Quando, pois, dás esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem louvados pelos homens. Em verdade eu vos digo: já receberam sua recompensa.
3. Quando deres esmola, que tua mão esquerda não saiba o que fez a direita.
4. Assim, a tua esmola se fará em segredo; e teu Pai, que vê o escondido, recompensar-te-á.
5. Quando orardes, não façais como os hipócritas, que gostam de orar de pé nas sinagogas e nas esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade eu vos digo: já receberam sua recompensa.
6. Quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora ao teu Pai em segredo; e teu Pai, que vê num lugar oculto, recompensar-te-á.
7. Nas vossas orações, não multipliqueis as palavras, como fazem os pagãos que julgam que serão ouvidos à força de palavras.
8. Não os imiteis, porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes que vós lho peçais.
9. Eis como deveis rezar: PAI NOSSO, que estais no céu, santificado seja o vosso nome;
10. venha a nós o vosso Reino; seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu.
11. O pão nosso de cada dia nos dai hoje;
12. perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos aos que nos ofenderam;
13. e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal.
14. Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, vosso Pai celeste também vos perdoará.
15. Mas se não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai vos perdoará.
16. Quando jejuardes, não tomeis um ar triste como os hipócritas, que mostram um semblante abatido para manifestar aos homens que jejuam. Em verdade eu vos digo: já receberam sua recompensa.
17. Quando jejuares, perfuma a tua cabeça e lava o teu rosto.
18. Assim, não parecerá aos homens que jejuas, mas somente a teu Pai que está presente ao oculto; e teu Pai, que vê num lugar oculto, recompensar-te-á.
19. Não ajunteis para vós tesouros na terra, onde a ferrugem e as traças corroem, onde os ladrões furtam e roubam.
20. Ajuntai para vós tesouros no céu, onde não os consomem nem as traças nem a ferrugem, e os ladrões não furtam nem roubam.
21. Porque onde está o teu tesouro, lá também está teu coração.
22. O olho é a luz do corpo. Se teu olho é são, todo o teu corpo será iluminado.
23. Se teu olho estiver em mau estado, todo o teu corpo estará nas trevas. Se a luz que está em ti são trevas, quão espessas deverão ser as trevas!
24. Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou odiará a um e amará o outro, ou dedicar-se-á a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e à riqueza.
25. Portanto, eis que vos digo: não vos preocupeis por vossa vida, pelo que comereis, nem por vosso corpo, pelo que vestireis. A vida não é mais do que o alimento e o corpo não é mais que as vestes?
26. Olhai as aves do céu: não semeiam nem ceifam, nem recolhem nos celeiros e vosso Pai celeste as alimenta. Não valeis vós muito mais que elas?
27. Qual de vós, por mais que se esforce, pode acrescentar um só côvado à duração de sua vida?
28. E por que vos inquietais com as vestes? Considerai como crescem os lírios do campo; não trabalham nem fiam.
29. Entretanto, eu vos digo que o próprio Salomão no auge de sua glória não se vestiu como um deles.
30. Se Deus veste assim a erva dos campos, que hoje cresce e amanhã será lançada ao fogo, quanto mais a vós, homens de pouca fé?
31. Não vos aflijais, nem digais: Que comeremos? Que beberemos? Com que nos vestiremos?
32. São os pagãos que se preocupam com tudo isso. Ora, vosso Pai celeste sabe que necessitais de tudo isso.
33. Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo.
34. Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia basta o seu cuidado.
1. Guardai-vos de fazer vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles. Do contrário, não tereis recompensa junto de vosso Pai que está no céu.
2. Quando, pois, dás esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem louvados pelos homens. Em verdade eu vos digo: já receberam sua recompensa.
3. Quando deres esmola, que tua mão esquerda não saiba o que fez a direita.
4. Assim, a tua esmola se fará em segredo; e teu Pai, que vê o escondido, recompensar-te-á.
5. Quando orardes, não façais como os hipócritas, que gostam de orar de pé nas sinagogas e nas esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade eu vos digo: já receberam sua recompensa.
6. Quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora ao teu Pai em segredo; e teu Pai, que vê num lugar oculto, recompensar-te-á.
7. Nas vossas orações, não multipliqueis as palavras, como fazem os pagãos que julgam que serão ouvidos à força de palavras.
8. Não os imiteis, porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes que vós lho peçais.
9. Eis como deveis rezar: PAI NOSSO, que estais no céu, santificado seja o vosso nome;
10. venha a nós o vosso Reino; seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu.
11. O pão nosso de cada dia nos dai hoje;
12. perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos aos que nos ofenderam;
13. e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal.
14. Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, vosso Pai celeste também vos perdoará.
15. Mas se não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai vos perdoará.
16. Quando jejuardes, não tomeis um ar triste como os hipócritas, que mostram um semblante abatido para manifestar aos homens que jejuam. Em verdade eu vos digo: já receberam sua recompensa.
17. Quando jejuares, perfuma a tua cabeça e lava o teu rosto.
18. Assim, não parecerá aos homens que jejuas, mas somente a teu Pai que está presente ao oculto; e teu Pai, que vê num lugar oculto, recompensar-te-á.
19. Não ajunteis para vós tesouros na terra, onde a ferrugem e as traças corroem, onde os ladrões furtam e roubam.
20. Ajuntai para vós tesouros no céu, onde não os consomem nem as traças nem a ferrugem, e os ladrões não furtam nem roubam.
21. Porque onde está o teu tesouro, lá também está teu coração.
22. O olho é a luz do corpo. Se teu olho é são, todo o teu corpo será iluminado.
23. Se teu olho estiver em mau estado, todo o teu corpo estará nas trevas. Se a luz que está em ti são trevas, quão espessas deverão ser as trevas!
24. Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou odiará a um e amará o outro, ou dedicar-se-á a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e à riqueza.
25. Portanto, eis que vos digo: não vos preocupeis por vossa vida, pelo que comereis, nem por vosso corpo, pelo que vestireis. A vida não é mais do que o alimento e o corpo não é mais que as vestes?
26. Olhai as aves do céu: não semeiam nem ceifam, nem recolhem nos celeiros e vosso Pai celeste as alimenta. Não valeis vós muito mais que elas?
27. Qual de vós, por mais que se esforce, pode acrescentar um só côvado à duração de sua vida?
28. E por que vos inquietais com as vestes? Considerai como crescem os lírios do campo; não trabalham nem fiam.
29. Entretanto, eu vos digo que o próprio Salomão no auge de sua glória não se vestiu como um deles.
30. Se Deus veste assim a erva dos campos, que hoje cresce e amanhã será lançada ao fogo, quanto mais a vós, homens de pouca fé?
31. Não vos aflijais, nem digais: Que comeremos? Que beberemos? Com que nos vestiremos?
32. São os pagãos que se preocupam com tudo isso. Ora, vosso Pai celeste sabe que necessitais de tudo isso.
33. Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo.
34. Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia basta o seu cuidado.
Cinquenta e seis
V
1. Vendo aquelas multidões, Jesus subiu à montanha. Sentou-se e seus discípulos aproximaram-se dele.
2. Então abriu a boca e lhes ensinava, dizendo:
3. Bem-aventurados os que têm um coração de pobre, porque deles é o Reino dos céus!
4. Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados!
5. Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra!
6. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados!
7. Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia!
8. Bem-aventurados os puros de coração, porque verão Deus!
9. Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus!
10. Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos céus!
11. Bem-aventurados sereis quando vos caluniarem, quando vos perseguirem e disserem falsamente todo o mal contra vós por causa de mim.
12. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus, pois assim perseguiram os profetas que vieram antes de vós.
13. Vós sois o sal da terra. Se o sal perde o sabor, com que lhe será restituído o sabor? Para nada mais serve senão para ser lançado fora e calcado pelos homens.
14. Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre uma montanha
15. nem se acende uma luz para colocá-la debaixo do alqueire, mas sim para colocá-la sobre o candeeiro, a fim de que brilhe a todos os que estão em casa.
16. Assim, brilhe vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus.
17. Não julgueis que vim abolir a lei ou os profetas. Não vim para os abolir, mas sim para levá-los à perfeição.
18. Pois em verdade vos digo: passará o céu e a terra, antes que desapareça um jota, um traço da lei.
19. Aquele que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e ensinar assim aos homens, será declarado o menor no Reino dos céus. Mas aquele que os guardar e os ensinar será declarado grande no Reino dos céus.
20. Digo-vos, pois, se vossa justiça não for maior que a dos escribas e fariseus, não entrareis no Reino dos céus.
21. Ouvistes o que foi dito aos antigos: Não matarás, mas quem matar será castigado pelo juízo do tribunal.
22. Mas eu vos digo: todo aquele que se irar contra seu irmão será castigado pelos juízes. Aquele que disser a seu irmão: Raca, será castigado pelo Grande Conselho. Aquele que lhe disser: Louco, será condenado ao fogo da geena.
23. Se estás, portanto, para fazer a tua oferta diante do altar e te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti,
24. deixa lá a tua oferta diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; só então vem fazer a tua oferta.
25. Entra em acordo sem demora com o teu adversário, enquanto estás em caminho com ele, para que não suceda que te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao seu ministro e sejas posto em prisão.
26. Em verdade te digo: dali não sairás antes de teres pago o último centavo.
27. Ouvistes que foi dito aos antigos: Não cometerás adultério.
28. Eu, porém, vos digo: todo aquele que lançar um olhar de cobiça para uma mulher, já adulterou com ela em seu coração.
29. Se teu olho direito é para ti causa de queda, arranca-o e lança-o longe de ti, porque te é preferível perder-se um só dos teus membros, a que o teu corpo todo seja lançado na geena.
30. E se tua mão direita é para ti causa de queda, corta-a e lança-a longe de ti, porque te é preferível perder-se um só dos teus membros, a que o teu corpo inteiro seja atirado na geena.
31. Foi também dito: Todo aquele que rejeitar sua mulher, dê-lhe carta de divórcio.
32. Eu, porém, vos digo: todo aquele que rejeita sua mulher, a faz tornar-se adúltera, a não ser que se trate de matrimônio falso; e todo aquele que desposa uma mulher rejeitada comete um adultério.
33. Ouvistes ainda o que foi dito aos antigos: Não jurarás falso, mas cumprirás para com o Senhor os teus juramentos.
34. Eu, porém, vos digo: não jureis de modo algum, nem pelo céu, porque é o trono de Deus;
35. nem pela terra, porque é o escabelo de seus pés; nem por Jerusalém, porque é a cidade do grande Rei.
36. Nem jurarás pela tua cabeça, porque não podes fazer um cabelo tornar-se branco ou negro.
37. Dizei somente: Sim, se é sim; não, se é não. Tudo o que passa além disto vem do Maligno.
38. Tendes ouvido o que foi dito: Olho por olho, dente por dente.
39. Eu, porém, vos digo: não resistais ao mau. Se alguém te ferir a face direita, oferece-lhe também a outra.
40. Se alguém te citar em justiça para tirar-te a túnica, cede-lhe também a capa.
41. Se alguém vem obrigar-te a andar mil passos com ele, anda dois mil.
42. Dá a quem te pede e não te desvies daquele que te quer pedir emprestado.
43. Tendes ouvido o que foi dito: Amarás o teu próximo e poderás odiar teu inimigo.
44. Eu, porém, vos digo: amai vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos [maltratam e] perseguem.
45. Deste modo sereis os filhos de vosso Pai do céu, pois ele faz nascer o sol tanto sobre os maus como sobre os bons, e faz chover sobre os justos e sobre os injustos.
46. Se amais somente os que vos amam, que recompensa tereis? Não fazem assim os próprios publicanos?
47. Se saudais apenas vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Não fazem isto também os pagãos?
48. Portanto, sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito.
1. Vendo aquelas multidões, Jesus subiu à montanha. Sentou-se e seus discípulos aproximaram-se dele.
2. Então abriu a boca e lhes ensinava, dizendo:
3. Bem-aventurados os que têm um coração de pobre, porque deles é o Reino dos céus!
4. Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados!
5. Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra!
6. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados!
7. Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia!
8. Bem-aventurados os puros de coração, porque verão Deus!
9. Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus!
10. Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos céus!
11. Bem-aventurados sereis quando vos caluniarem, quando vos perseguirem e disserem falsamente todo o mal contra vós por causa de mim.
12. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus, pois assim perseguiram os profetas que vieram antes de vós.
13. Vós sois o sal da terra. Se o sal perde o sabor, com que lhe será restituído o sabor? Para nada mais serve senão para ser lançado fora e calcado pelos homens.
14. Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre uma montanha
15. nem se acende uma luz para colocá-la debaixo do alqueire, mas sim para colocá-la sobre o candeeiro, a fim de que brilhe a todos os que estão em casa.
16. Assim, brilhe vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus.
17. Não julgueis que vim abolir a lei ou os profetas. Não vim para os abolir, mas sim para levá-los à perfeição.
18. Pois em verdade vos digo: passará o céu e a terra, antes que desapareça um jota, um traço da lei.
19. Aquele que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e ensinar assim aos homens, será declarado o menor no Reino dos céus. Mas aquele que os guardar e os ensinar será declarado grande no Reino dos céus.
20. Digo-vos, pois, se vossa justiça não for maior que a dos escribas e fariseus, não entrareis no Reino dos céus.
21. Ouvistes o que foi dito aos antigos: Não matarás, mas quem matar será castigado pelo juízo do tribunal.
22. Mas eu vos digo: todo aquele que se irar contra seu irmão será castigado pelos juízes. Aquele que disser a seu irmão: Raca, será castigado pelo Grande Conselho. Aquele que lhe disser: Louco, será condenado ao fogo da geena.
23. Se estás, portanto, para fazer a tua oferta diante do altar e te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti,
24. deixa lá a tua oferta diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; só então vem fazer a tua oferta.
25. Entra em acordo sem demora com o teu adversário, enquanto estás em caminho com ele, para que não suceda que te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao seu ministro e sejas posto em prisão.
26. Em verdade te digo: dali não sairás antes de teres pago o último centavo.
27. Ouvistes que foi dito aos antigos: Não cometerás adultério.
28. Eu, porém, vos digo: todo aquele que lançar um olhar de cobiça para uma mulher, já adulterou com ela em seu coração.
29. Se teu olho direito é para ti causa de queda, arranca-o e lança-o longe de ti, porque te é preferível perder-se um só dos teus membros, a que o teu corpo todo seja lançado na geena.
30. E se tua mão direita é para ti causa de queda, corta-a e lança-a longe de ti, porque te é preferível perder-se um só dos teus membros, a que o teu corpo inteiro seja atirado na geena.
31. Foi também dito: Todo aquele que rejeitar sua mulher, dê-lhe carta de divórcio.
32. Eu, porém, vos digo: todo aquele que rejeita sua mulher, a faz tornar-se adúltera, a não ser que se trate de matrimônio falso; e todo aquele que desposa uma mulher rejeitada comete um adultério.
33. Ouvistes ainda o que foi dito aos antigos: Não jurarás falso, mas cumprirás para com o Senhor os teus juramentos.
34. Eu, porém, vos digo: não jureis de modo algum, nem pelo céu, porque é o trono de Deus;
35. nem pela terra, porque é o escabelo de seus pés; nem por Jerusalém, porque é a cidade do grande Rei.
36. Nem jurarás pela tua cabeça, porque não podes fazer um cabelo tornar-se branco ou negro.
37. Dizei somente: Sim, se é sim; não, se é não. Tudo o que passa além disto vem do Maligno.
38. Tendes ouvido o que foi dito: Olho por olho, dente por dente.
39. Eu, porém, vos digo: não resistais ao mau. Se alguém te ferir a face direita, oferece-lhe também a outra.
40. Se alguém te citar em justiça para tirar-te a túnica, cede-lhe também a capa.
41. Se alguém vem obrigar-te a andar mil passos com ele, anda dois mil.
42. Dá a quem te pede e não te desvies daquele que te quer pedir emprestado.
43. Tendes ouvido o que foi dito: Amarás o teu próximo e poderás odiar teu inimigo.
44. Eu, porém, vos digo: amai vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos [maltratam e] perseguem.
45. Deste modo sereis os filhos de vosso Pai do céu, pois ele faz nascer o sol tanto sobre os maus como sobre os bons, e faz chover sobre os justos e sobre os injustos.
46. Se amais somente os que vos amam, que recompensa tereis? Não fazem assim os próprios publicanos?
47. Se saudais apenas vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Não fazem isto também os pagãos?
48. Portanto, sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito.
sábado, 13 de junho de 2009
Cinquenta e cinco
"Um carpinteiro nômade chamado Stone viu, no decorrer das suas viagens, em um campo próximo de um altar rústico, um velho e gigantesco carvalho. Disse a seu aprendiz que admirava o carvalho: "Esta árvore não tem qualquer utilidade. Se quiséssemos fazer um barco com sua madeira, ele logo apodreceria; se quiséssemos usá-la para ferramentas, elas logo se quebrariam. Para nada serve esta árvore, por isso chegou a ficar assim tão velha.
Mas naquela mesma noite, numa hospedaria, o velho carvalho apareceu em sonhos ao carpinteiro e disse-lhe: "Por que você me compara às árvores cultivadas, como o pilriteiro, a pereira, a laranjeira, a macieira e todas as árvores frutíferas? Antes de amadurecerem os seus frutos, as pessoas já as atacam e violentam, quebrando-lhes os galhos e arrancando-lhes os ramos. As dádivas que trazem só lhe acarretam o mal, impedindo-as de ver integralmente, até o fim, a sua existência natural. É o que acontece em todos os lugares; por isso esforço-me há tanto tempo para permanecer completamente inútil. Pobre mortal! Crês que se eu tivesse servido para alguma coisa teria chegado a essa altura? Além disso, tu e eu somo ambas criaturas; então como pode uma criatura erigir-se em juiz de outra? Inútil mortal, que sabes a respeito da utilidade das árvores?
O carpinteiro acordou e pôs-se a meditar sobre o sonho. mais tarde, quando o aprendiz perguntou-lhe porque só havia aquela árvore a proteger o altar rústico, respondeu-lhe: "Cala-te! Não falemos mais nisso! A árvore nasceu aqui propositadamente, porque em qualquer outro lugar seria maltratada. Se não fosse a árvore do altar rústico, talvez já a tivessem derrubado"
Chuang-Tzu
Mas naquela mesma noite, numa hospedaria, o velho carvalho apareceu em sonhos ao carpinteiro e disse-lhe: "Por que você me compara às árvores cultivadas, como o pilriteiro, a pereira, a laranjeira, a macieira e todas as árvores frutíferas? Antes de amadurecerem os seus frutos, as pessoas já as atacam e violentam, quebrando-lhes os galhos e arrancando-lhes os ramos. As dádivas que trazem só lhe acarretam o mal, impedindo-as de ver integralmente, até o fim, a sua existência natural. É o que acontece em todos os lugares; por isso esforço-me há tanto tempo para permanecer completamente inútil. Pobre mortal! Crês que se eu tivesse servido para alguma coisa teria chegado a essa altura? Além disso, tu e eu somo ambas criaturas; então como pode uma criatura erigir-se em juiz de outra? Inútil mortal, que sabes a respeito da utilidade das árvores?
O carpinteiro acordou e pôs-se a meditar sobre o sonho. mais tarde, quando o aprendiz perguntou-lhe porque só havia aquela árvore a proteger o altar rústico, respondeu-lhe: "Cala-te! Não falemos mais nisso! A árvore nasceu aqui propositadamente, porque em qualquer outro lugar seria maltratada. Se não fosse a árvore do altar rústico, talvez já a tivessem derrubado"
Chuang-Tzu
segunda-feira, 25 de maio de 2009
Intervalo
Me abrace, que você é querida por mim!
Olhe sem temor, sinta bem minha mistura...
Não descarte a faculdade dos sentidos!
Repare meu cheiro,
assim.......
Repare bem minhas formas,
são filhas do mesmo pai da natureza...
Não se detenha, faça todo uso dos sentidos...
Sinta a pressão do meu tórax,
como se retrai e se expande...
respirando...tecendo terra e céu...
Ouça bem a voz, o ruído, a sonoridade natural...
Deite olhar nas cores, como me vestem...
Celeste, humano, quente, frio, nas várias estações...
Então ponha-se ereta e gentil com o horizonte...
Ate seus dedos com os meus...seja firme!
que nos provaremos da maneira certa.
F.H.R.
Olhe sem temor, sinta bem minha mistura...
Não descarte a faculdade dos sentidos!
Repare meu cheiro,
assim.......
Repare bem minhas formas,
são filhas do mesmo pai da natureza...
Não se detenha, faça todo uso dos sentidos...
Sinta a pressão do meu tórax,
como se retrai e se expande...
respirando...tecendo terra e céu...
Ouça bem a voz, o ruído, a sonoridade natural...
Deite olhar nas cores, como me vestem...
Celeste, humano, quente, frio, nas várias estações...
Então ponha-se ereta e gentil com o horizonte...
Ate seus dedos com os meus...seja firme!
que nos provaremos da maneira certa.
F.H.R.
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Cinquenta e três
"Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver."
Amyr Klink
Amyr Klink
quinta-feira, 16 de abril de 2009
Cinquenta e dois
Liz Durrett - Far From Home
Um velho monge e um jovem monge estavam andando por uma estrada quando chegaram a um rio que corria veloz. O rio não era nem muito largo nem muito fundo, e os dois estavam prestes a atravessá-lo quando uma bela jovem, que esperava na margem, aproximou-se deles. A moça estava vestida com muita elegância, abanava o leque e piscava muito, sorrindo com olhos muito grandes.
– Oh – disse ela –, a correnteza é tão forte, a água é tão fria, e a seda do meu quimono vai se estragar se eu o molhar. Será que vocês poderiam me carregar até o outro lado do rio?
E ela se insinuou sedutora para o lado do monge mais jovem.
O jovem monge não gostou do comportamento daquela moça mimada e despudorada. Achou que ela merecia uma lição. Além do mais, monges não devem se envolver com mulheres. Então ele a ignorou e atravessou o rio. Mas o monge mais velho deu de ombros, ergueu a moça e a carregou nas costas até o outro lado do rio. Depois os dois monges continuaram pela estrada.
Embora andassem em silêncio, o monge mais novo estava furioso. Achava que o companheiro tinha cometido um erro ao ceder aos caprichos daquela moça mimada. E, pior ainda, ao tocá-la tinha desobedecido às regras dos monges. O jovem reclamava e vociferava mentalmente, enquanto eles caminhavam subindo montanhas e atravessando campos. Finalmente, ele não agüentou. Aos gritos, começou a repreender o companheiro por ter atravessado o rio carregando a moça. Estava fora de si, com o rosto vermelho de tanta raiva.
– Ora, ora –, disse o velho monge. - Você ainda está carregando aquela mulher? Eu já a pus no chão há uma hora.
E, dando de ombros, continuou a caminhar.
(Este conto, intitulado Trabalho inútil, faz parte do lindo livro de coletânea Contos Budistas, recontados por Sherab Chödzin e Alexandra Kohn, ilustrados por Marie Cameron, editado no Brasil pela Editora Martins Fontes, tradução de Monica Stahel, São Paulo, 2003)
Um velho monge e um jovem monge estavam andando por uma estrada quando chegaram a um rio que corria veloz. O rio não era nem muito largo nem muito fundo, e os dois estavam prestes a atravessá-lo quando uma bela jovem, que esperava na margem, aproximou-se deles. A moça estava vestida com muita elegância, abanava o leque e piscava muito, sorrindo com olhos muito grandes.
– Oh – disse ela –, a correnteza é tão forte, a água é tão fria, e a seda do meu quimono vai se estragar se eu o molhar. Será que vocês poderiam me carregar até o outro lado do rio?
E ela se insinuou sedutora para o lado do monge mais jovem.
O jovem monge não gostou do comportamento daquela moça mimada e despudorada. Achou que ela merecia uma lição. Além do mais, monges não devem se envolver com mulheres. Então ele a ignorou e atravessou o rio. Mas o monge mais velho deu de ombros, ergueu a moça e a carregou nas costas até o outro lado do rio. Depois os dois monges continuaram pela estrada.
Embora andassem em silêncio, o monge mais novo estava furioso. Achava que o companheiro tinha cometido um erro ao ceder aos caprichos daquela moça mimada. E, pior ainda, ao tocá-la tinha desobedecido às regras dos monges. O jovem reclamava e vociferava mentalmente, enquanto eles caminhavam subindo montanhas e atravessando campos. Finalmente, ele não agüentou. Aos gritos, começou a repreender o companheiro por ter atravessado o rio carregando a moça. Estava fora de si, com o rosto vermelho de tanta raiva.
– Ora, ora –, disse o velho monge. - Você ainda está carregando aquela mulher? Eu já a pus no chão há uma hora.
E, dando de ombros, continuou a caminhar.
(Este conto, intitulado Trabalho inútil, faz parte do lindo livro de coletânea Contos Budistas, recontados por Sherab Chödzin e Alexandra Kohn, ilustrados por Marie Cameron, editado no Brasil pela Editora Martins Fontes, tradução de Monica Stahel, São Paulo, 2003)
quarta-feira, 15 de abril de 2009
Cinquenta e um
"O olho é a luz do corpo. Se teu olho é são, todo o teu corpo será iluminado. Se teu olho estiver em mau estado, todo o teu corpo estará nas trevas. Se a luz que está em ti são trevas, quão espessas deverão ser as trevas!"
Mat 6,22-23
Mat 6,22-23
domingo, 12 de abril de 2009
Cinquenta
"O sol beijava minha face nua,
e minha alma inflamou-se de amor pelo sol.
Ainda ontem pensava que não era mais do que
um fragmento trêmulo sem ritmo na esfera da vida.
Hoje sei que sou eu a esfera e a vida inteira
em fragmentos rítmicos movendo-se em mim."
Khalil Gibran
e minha alma inflamou-se de amor pelo sol.
Ainda ontem pensava que não era mais do que
um fragmento trêmulo sem ritmo na esfera da vida.
Hoje sei que sou eu a esfera e a vida inteira
em fragmentos rítmicos movendo-se em mim."
Khalil Gibran
quarta-feira, 8 de abril de 2009
sábado, 4 de abril de 2009
Intervalo
Liz Durrett - the sea dream
No mistério temporal
(à S.L.)
Sua loucura desnuda a minha,
e a quero erguer em meus braços,
nos abraços, desfazer-me.
Tocar, minha boca, os pés da Lua
no giro essencial de seu olho,
no ósculo, a gravidade.
Sua inteireza desnuda a minha,
e a quero erguer da medula,
na espinha, ascender-me.
Tocar, tua boca, o seio do Sol
no giro criador de seu olho,
no sorver, instante amor.
F.H.R.
No mistério temporal
(à S.L.)
Sua loucura desnuda a minha,
e a quero erguer em meus braços,
nos abraços, desfazer-me.
Tocar, minha boca, os pés da Lua
no giro essencial de seu olho,
no ósculo, a gravidade.
Sua inteireza desnuda a minha,
e a quero erguer da medula,
na espinha, ascender-me.
Tocar, tua boca, o seio do Sol
no giro criador de seu olho,
no sorver, instante amor.
F.H.R.
terça-feira, 17 de março de 2009
segunda-feira, 16 de março de 2009
Quarenta e seis
A necessidade da vitória
Quando um arqueiro atira sem alvo nem mira
Está com toda a sua habilidade.
Se atira para ganhar uma fivela de metal
Já fica nervoso.
Se atira por um prêmio de ouro
Fica cego
Ou vê dois alvos -
Está louco!
Sua habilidade não mudou. Mas o prêmio
Cria nele divisões. Preocupa-se.
Pensa mais em ganhar
Do que em atirar -
E a necessidade de vencer
Esgota-lhe a força.
Chuang Tzu
Quando um arqueiro atira sem alvo nem mira
Está com toda a sua habilidade.
Se atira para ganhar uma fivela de metal
Já fica nervoso.
Se atira por um prêmio de ouro
Fica cego
Ou vê dois alvos -
Está louco!
Sua habilidade não mudou. Mas o prêmio
Cria nele divisões. Preocupa-se.
Pensa mais em ganhar
Do que em atirar -
E a necessidade de vencer
Esgota-lhe a força.
Chuang Tzu
Quarenta e cinco
A alegria dos peixes
Chuang Tzu e Hui Tzu
Atravessavam o rio Hao
Pelo açude.
Disse Chuang:
"Veja como os peixes
Pulam e correm tão livremente:
Isto é a sua felicidade".
Respondeu Hui:
"Desde que você não é um peixe
Como sabe
O que torna os peixes felizes?"
Chuang respondeu:
"Desde que você não é eu,
Como é possível que saiba
Que eu não sei
O que torna os peixes felizes?"
Hui argumentou:
"Se eu, não sendo você,
Não posso saber o que você sabe
Daí se conclui que você,
Não sendo peixe,
Não pode saber o que eles sabem".
Disse Chuang:
"Um momento:
Vamos retornar
Á pergunta primitiva.
O que você me perguntou foi
'Como você sabe
O que torna os peixes felizes?'
Dos termos da pergunta
Você sabe evidentemente que eu sei
O que torna os peixes felizes.
"Conheço as alegrias dos peixes
No rio
Através de minha própria alegria, à medida
Que vou caminhando à beira do mesmo rio".
Chuang Tzu
Chuang Tzu e Hui Tzu
Atravessavam o rio Hao
Pelo açude.
Disse Chuang:
"Veja como os peixes
Pulam e correm tão livremente:
Isto é a sua felicidade".
Respondeu Hui:
"Desde que você não é um peixe
Como sabe
O que torna os peixes felizes?"
Chuang respondeu:
"Desde que você não é eu,
Como é possível que saiba
Que eu não sei
O que torna os peixes felizes?"
Hui argumentou:
"Se eu, não sendo você,
Não posso saber o que você sabe
Daí se conclui que você,
Não sendo peixe,
Não pode saber o que eles sabem".
Disse Chuang:
"Um momento:
Vamos retornar
Á pergunta primitiva.
O que você me perguntou foi
'Como você sabe
O que torna os peixes felizes?'
Dos termos da pergunta
Você sabe evidentemente que eu sei
O que torna os peixes felizes.
"Conheço as alegrias dos peixes
No rio
Através de minha própria alegria, à medida
Que vou caminhando à beira do mesmo rio".
Chuang Tzu
Quarenta e quatro
A luz do sol, da lua e das estrelas brilha claro:
A melodia de amor se expande, o ritmo do desapego do amor vence o tempo.
Dia e noite, o coro da música enche os céus, e Kabir diz
"Meu amado brilha como o relâmpago no céu."
Você sabe como os momentos realizam sua adoração?
Ondulando sua fileira de lâmpadas, o universo canta em adoração dia e noite,
Existe a bandeira escondida e a abóboda secreta:
Lá é ouvido o som dos sinos invisíveis.
Kabir diz: "Lá a adoração nunca cessa, lá o Senhor do Universo está sentado em Seu trono."
O mundo todo realiza seus trabalhos e comete seus erros, mas poucos são os amantes que conhecem o Amado.
O buscador devotado é aquele que mescla em seu coração as correntes duplas do amor e do desapego, como a mistura dos fluxos do Ganges e do Jumna;
Em seu coração a água sagrada flui dia e noite, e assim o ciclo de nascimentos e mortes é levado a um fim.
Vede que descanso maravilhoso está no Espírito Supremo! e aprecia esse descanso aquele, que se adequar à ele.
Sustentado pelas cordas do amor, o balanço do Oceano da Alegria oscila para lá e para cá, e um poderoso som irrompe em canção.
Veja que um lótus lá floresce sem água! e Kabir diz
"A abelha do meu coração bebe seu néctar."
Que lótus maravilhoso é esse, que floresce no coração da roda de fiar do universo! Apenas poucas almas puras sabem do seu verdadeiro deleite.
Música está toda ao seu redor, e lá o coração participa da alegria do mar infinito.
Kabir diz: "Mergulha-te dentro desse oceano de doçura: assim deixe todos os erros da vida e da morte fugirem para longe."
Vede como a sede dos cinco sentidos é saciada lá!
E as três formas da miséria não existem mais!
Kabir diz: "Esse é o esporte Daquele inatingível: olhe para dentro, e contemple como os raios do luar Daquele que está oculto brilham em você."
Ali se insere a batida rítmica da vida e da morte:
O arrebatamento nasce adiante, e todo espaço está radiante com a luz.
Lá a Música inatingível é soada, é a música do amor dos três mundos.
Lá milhões de luzes de sol e de lua estão queimando;
Lá bate o tambor, e o amante balança brincando.
Lá ressoam as canções de amor, e a luz chove em banhos, e o
Adorador está encantado no sabor do néctar celestial.
Olhe para a vida e para a morte: não há separação entre elas,
A mão direita e a esquerda são uma e a mesma mão.
Kabir diz: "Lá o homem sábio é mudo; pois esta verdade nunca pode ser encontrada nos Vedas ou em livros."
Tenho tido meu lugar naquele que é Auto-equilibrado,
Tenho bebido da taça do Indizível,
Eu encontrei a chave do mistério,
Alcancei a raiz da União.
Viajando por trilha nenhuma, vim para a Terra onde não existe pesares: muito facilmente a misericórdia do grande Senhor caiu sobre mim.
Eles têm cantado sobre Ele como infinito e inatingível, mas em minhas meditações eu O vi sem a visão.
Essa é, de fato, a terra sem pesares, e ninguém sabe o caminho que conduz até lá:
Apenas aquele que está naquele caminho certamente transcendeu todos os pesares.
Maravilhosa é aquela terra de descanso, a qual mérito nenhum pode ganhar;
É o sábio que a viu, é o sábio que tem cantado sobre ela.
Esta é a palavra final: mas é possível alguém expressar seu sabor maravilhoso?
Aquele que a saboreou uma vez, aquele que sabe que alegria ela pode dar.
Kabir diz: "Sabendo disso, o homem ignorante torna-se sábio, e o homem sábio se torna mudo e fica em silêncio,
O adorador fica totalmente inebriado,
Sua sabedoria e seu desapego são tornados perfeitos;
Ele bebe da taça das inspirações e expirações do amor.”
Lá todo o céu está preenchido com som, e lá a música é feita sem dedos e sem cordas;
Lá o jogo de prazer e dor não cessa.
Kabir diz: "Se você submergir sua vida no oceano da vida, você encontrará sua vida estando na Terra Suprema do contentamento".
Que frenesi de êxtase existe em todas as horas! e o adorador está espremendo e bebendo a essência das horas: ele vive na vida de Brahma.
Falo a verdade, pois aceitei a verdade na vida, estou agora apegado à verdade, varri para longe tudo de falso valor.
Kabir diz: "Assim o adorador é libertado do medo, assim, todos os erros da vida e da morte abandonaram ele."
Lá o céu está preenchido de música:
Lá chove néctar:
Lá as cordas da harpa soam, e lá os tambores rufam.
Que esplendor secreto está ali, na mansão do céu!
Lá nenhuma menção é feita sobre o nascer e o pôr do sol;
No oceano da manifestação, que é a luz do amor, o dia e a noite
São sentidos como sendo um.
Alegria para sempre, sem tristeza, - sem luta!
Lá eu vi alegria cheia até a borda, a perfeição da alegria;
Nenhum espaço para erro existe lá.
Kabir diz: "Lá eu testemunhei o esporte do deleite uno!"
Conheci em meu corpo o esporte do universo: Escapei do erro deste mundo.
O interno e o externo são tornados como um céu, o Infinito e o finito são unidos: estou embriagado com a visão de tudo isto!
Esta Luz de Ti preenche o Universo: a lâmpada do amor que arde sobre a bandeja do conhecimento.
Kabir diz: "Lá o erro não pode entrar, e o conflito da vida e da morte não é mais sentido."
Kabir
A melodia de amor se expande, o ritmo do desapego do amor vence o tempo.
Dia e noite, o coro da música enche os céus, e Kabir diz
"Meu amado brilha como o relâmpago no céu."
Você sabe como os momentos realizam sua adoração?
Ondulando sua fileira de lâmpadas, o universo canta em adoração dia e noite,
Existe a bandeira escondida e a abóboda secreta:
Lá é ouvido o som dos sinos invisíveis.
Kabir diz: "Lá a adoração nunca cessa, lá o Senhor do Universo está sentado em Seu trono."
O mundo todo realiza seus trabalhos e comete seus erros, mas poucos são os amantes que conhecem o Amado.
O buscador devotado é aquele que mescla em seu coração as correntes duplas do amor e do desapego, como a mistura dos fluxos do Ganges e do Jumna;
Em seu coração a água sagrada flui dia e noite, e assim o ciclo de nascimentos e mortes é levado a um fim.
Vede que descanso maravilhoso está no Espírito Supremo! e aprecia esse descanso aquele, que se adequar à ele.
Sustentado pelas cordas do amor, o balanço do Oceano da Alegria oscila para lá e para cá, e um poderoso som irrompe em canção.
Veja que um lótus lá floresce sem água! e Kabir diz
"A abelha do meu coração bebe seu néctar."
Que lótus maravilhoso é esse, que floresce no coração da roda de fiar do universo! Apenas poucas almas puras sabem do seu verdadeiro deleite.
Música está toda ao seu redor, e lá o coração participa da alegria do mar infinito.
Kabir diz: "Mergulha-te dentro desse oceano de doçura: assim deixe todos os erros da vida e da morte fugirem para longe."
Vede como a sede dos cinco sentidos é saciada lá!
E as três formas da miséria não existem mais!
Kabir diz: "Esse é o esporte Daquele inatingível: olhe para dentro, e contemple como os raios do luar Daquele que está oculto brilham em você."
Ali se insere a batida rítmica da vida e da morte:
O arrebatamento nasce adiante, e todo espaço está radiante com a luz.
Lá a Música inatingível é soada, é a música do amor dos três mundos.
Lá milhões de luzes de sol e de lua estão queimando;
Lá bate o tambor, e o amante balança brincando.
Lá ressoam as canções de amor, e a luz chove em banhos, e o
Adorador está encantado no sabor do néctar celestial.
Olhe para a vida e para a morte: não há separação entre elas,
A mão direita e a esquerda são uma e a mesma mão.
Kabir diz: "Lá o homem sábio é mudo; pois esta verdade nunca pode ser encontrada nos Vedas ou em livros."
Tenho tido meu lugar naquele que é Auto-equilibrado,
Tenho bebido da taça do Indizível,
Eu encontrei a chave do mistério,
Alcancei a raiz da União.
Viajando por trilha nenhuma, vim para a Terra onde não existe pesares: muito facilmente a misericórdia do grande Senhor caiu sobre mim.
Eles têm cantado sobre Ele como infinito e inatingível, mas em minhas meditações eu O vi sem a visão.
Essa é, de fato, a terra sem pesares, e ninguém sabe o caminho que conduz até lá:
Apenas aquele que está naquele caminho certamente transcendeu todos os pesares.
Maravilhosa é aquela terra de descanso, a qual mérito nenhum pode ganhar;
É o sábio que a viu, é o sábio que tem cantado sobre ela.
Esta é a palavra final: mas é possível alguém expressar seu sabor maravilhoso?
Aquele que a saboreou uma vez, aquele que sabe que alegria ela pode dar.
Kabir diz: "Sabendo disso, o homem ignorante torna-se sábio, e o homem sábio se torna mudo e fica em silêncio,
O adorador fica totalmente inebriado,
Sua sabedoria e seu desapego são tornados perfeitos;
Ele bebe da taça das inspirações e expirações do amor.”
Lá todo o céu está preenchido com som, e lá a música é feita sem dedos e sem cordas;
Lá o jogo de prazer e dor não cessa.
Kabir diz: "Se você submergir sua vida no oceano da vida, você encontrará sua vida estando na Terra Suprema do contentamento".
Que frenesi de êxtase existe em todas as horas! e o adorador está espremendo e bebendo a essência das horas: ele vive na vida de Brahma.
Falo a verdade, pois aceitei a verdade na vida, estou agora apegado à verdade, varri para longe tudo de falso valor.
Kabir diz: "Assim o adorador é libertado do medo, assim, todos os erros da vida e da morte abandonaram ele."
Lá o céu está preenchido de música:
Lá chove néctar:
Lá as cordas da harpa soam, e lá os tambores rufam.
Que esplendor secreto está ali, na mansão do céu!
Lá nenhuma menção é feita sobre o nascer e o pôr do sol;
No oceano da manifestação, que é a luz do amor, o dia e a noite
São sentidos como sendo um.
Alegria para sempre, sem tristeza, - sem luta!
Lá eu vi alegria cheia até a borda, a perfeição da alegria;
Nenhum espaço para erro existe lá.
Kabir diz: "Lá eu testemunhei o esporte do deleite uno!"
Conheci em meu corpo o esporte do universo: Escapei do erro deste mundo.
O interno e o externo são tornados como um céu, o Infinito e o finito são unidos: estou embriagado com a visão de tudo isto!
Esta Luz de Ti preenche o Universo: a lâmpada do amor que arde sobre a bandeja do conhecimento.
Kabir diz: "Lá o erro não pode entrar, e o conflito da vida e da morte não é mais sentido."
Kabir
Quarenta e três
Eros e Psique
Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.
Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.
A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.
Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.
Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.
E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,
E, ainda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.
Fernando Pessoa
Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.
Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.
A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.
Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.
Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.
E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,
E, ainda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.
Fernando Pessoa
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