Liz Durrett - Far From Home
Um velho monge e um jovem monge estavam andando por uma estrada quando chegaram a um rio que corria veloz. O rio não era nem muito largo nem muito fundo, e os dois estavam prestes a atravessá-lo quando uma bela jovem, que esperava na margem, aproximou-se deles. A moça estava vestida com muita elegância, abanava o leque e piscava muito, sorrindo com olhos muito grandes.
– Oh – disse ela –, a correnteza é tão forte, a água é tão fria, e a seda do meu quimono vai se estragar se eu o molhar. Será que vocês poderiam me carregar até o outro lado do rio?
E ela se insinuou sedutora para o lado do monge mais jovem.
O jovem monge não gostou do comportamento daquela moça mimada e despudorada. Achou que ela merecia uma lição. Além do mais, monges não devem se envolver com mulheres. Então ele a ignorou e atravessou o rio. Mas o monge mais velho deu de ombros, ergueu a moça e a carregou nas costas até o outro lado do rio. Depois os dois monges continuaram pela estrada.
Embora andassem em silêncio, o monge mais novo estava furioso. Achava que o companheiro tinha cometido um erro ao ceder aos caprichos daquela moça mimada. E, pior ainda, ao tocá-la tinha desobedecido às regras dos monges. O jovem reclamava e vociferava mentalmente, enquanto eles caminhavam subindo montanhas e atravessando campos. Finalmente, ele não agüentou. Aos gritos, começou a repreender o companheiro por ter atravessado o rio carregando a moça. Estava fora de si, com o rosto vermelho de tanta raiva.
– Ora, ora –, disse o velho monge. - Você ainda está carregando aquela mulher? Eu já a pus no chão há uma hora.
E, dando de ombros, continuou a caminhar.
(Este conto, intitulado Trabalho inútil, faz parte do lindo livro de coletânea Contos Budistas, recontados por Sherab Chödzin e Alexandra Kohn, ilustrados por Marie Cameron, editado no Brasil pela Editora Martins Fontes, tradução de Monica Stahel, São Paulo, 2003)
quinta-feira, 16 de abril de 2009
quarta-feira, 15 de abril de 2009
Cinquenta e um
"O olho é a luz do corpo. Se teu olho é são, todo o teu corpo será iluminado. Se teu olho estiver em mau estado, todo o teu corpo estará nas trevas. Se a luz que está em ti são trevas, quão espessas deverão ser as trevas!"
Mat 6,22-23
Mat 6,22-23
domingo, 12 de abril de 2009
Cinquenta
"O sol beijava minha face nua,
e minha alma inflamou-se de amor pelo sol.
Ainda ontem pensava que não era mais do que
um fragmento trêmulo sem ritmo na esfera da vida.
Hoje sei que sou eu a esfera e a vida inteira
em fragmentos rítmicos movendo-se em mim."
Khalil Gibran
e minha alma inflamou-se de amor pelo sol.
Ainda ontem pensava que não era mais do que
um fragmento trêmulo sem ritmo na esfera da vida.
Hoje sei que sou eu a esfera e a vida inteira
em fragmentos rítmicos movendo-se em mim."
Khalil Gibran
quarta-feira, 8 de abril de 2009
sábado, 4 de abril de 2009
Intervalo
Liz Durrett - the sea dream
No mistério temporal
(à S.L.)
Sua loucura desnuda a minha,
e a quero erguer em meus braços,
nos abraços, desfazer-me.
Tocar, minha boca, os pés da Lua
no giro essencial de seu olho,
no ósculo, a gravidade.
Sua inteireza desnuda a minha,
e a quero erguer da medula,
na espinha, ascender-me.
Tocar, tua boca, o seio do Sol
no giro criador de seu olho,
no sorver, instante amor.
F.H.R.
No mistério temporal
(à S.L.)
Sua loucura desnuda a minha,
e a quero erguer em meus braços,
nos abraços, desfazer-me.
Tocar, minha boca, os pés da Lua
no giro essencial de seu olho,
no ósculo, a gravidade.
Sua inteireza desnuda a minha,
e a quero erguer da medula,
na espinha, ascender-me.
Tocar, tua boca, o seio do Sol
no giro criador de seu olho,
no sorver, instante amor.
F.H.R.
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