Do Amor
Quando o amor vos chamar, segui-o,
Embora seus caminhos sejam agrestes e escarpados;
E quando ele vos envolver com suas asas, cedei-lhe,
Embora a espada oculta na sua plumagem possa ferir-vos;
E quando ele vos falar, acreditai nele,
Embora sua voz possa despedaçar vossos sonhos
Como o vento devasta o jardim.
Pois, da mesma forma que o amor vos coroa,
Assim ele vos crucifica.
E da mesma forma que contribui para vosso crescimento,
Trabalha para vossa queda.
E da mesma forma que alcança vossa altura
E acaricia vossos ramos mais tenros que se embalam ao sol,
Assim também desce até vossas raízes
E as sacode no seu apego à terra.
Como feixes de trigo, ele vos aperta junto ao seu coração.
Ele vos debulha para expor vossa nudez.
Ele vos peneira para libertar-vos das palhas.
Ele vos mói até a extrema brancura.
Ele vos amassa até que vos torneis maleáveis.
Então, ele vos leva ao fogo sagrado e vos transforma
No pão místico do banquete divino.
Todas essas coisas, o amor operará em vós
Para que conheçais os segredos de vossos corações
E, com esse conhecimento,
Vos convertais no pão místico do banquete divino.
Todavia, se no vosso temor,
Procurardes somente a paz do amor e o gozo do amor,
Então seria melhor para vós que cobrísseis vossa nudez
E abandonásseis a eira do amor,
Para entrar num mundo sem estações,
Onde rireis, mas não todos os vossos risos,
E chorareis, mas não todas as vossas lágrimas.
O amor nada dá senão de si próprio
E nada recebe senão de si próprio.
O amor não possui, nem se deixa possuir.
Porque o amor basta-se a si mesmo.
Quando um de vós ama, que não diga:
“Deus está no meu coração”,
Mas que diga antes:
"Eu estou no coração de Deus”.
E não imagineis que possais dirigir o curso do amor,
Pois o amor, se vos achar dignos,
Determinará ele próprio o vosso curso.
O amor não tem outro desejo
Senão o de atingir a sua plenitude.
Se, contudo, amardes e precisardes ter desejos,
Sejam estes os vossos desejos:
De vos diluirdes no amor e serdes como um riacho
Que canta sua melodia para a noite;
De conhecerdes a dor de sentir ternura demasiada;
De ficardes feridos por vossa própria compreensão do amor
E de sangrardes de boa vontade e com alegria;
De acordardes na aurora com o coração alado
E agradecerdes por um novo dia de amor;
De descansardes ao meio-dia
E meditardes sobre o êxtase do amor;
De voltardes para casa à noite com gratidão;
E de adormecerdes com uma prece no coração para o bem-amado,
E nos lábios uma canção de bem-aventurança.
Gibran Kahlil Gibran
sexta-feira, 21 de dezembro de 2007
segunda-feira, 12 de novembro de 2007
Doze
Cada ser humano traz dentro de si um poder inimaginável, até que este seja despertado por algo. É uma semente que precisa ser regada para que desperte, cresça. O universo é constituído de vibração, ela é que une os átomos dando origem as diferentes formas, das mais sutis até as mais densas. Uma das mais fortes, poderosas e intensas formas de vibração, de energia, é o amor, não como conhecemos na sociedade, não confunda com paixão, egoísmo, apego, sentimento de posse, transcende a tudo isso, é muito mais profundo, impessoal, intenso e difícil de ser alcançado, mas possível. Não siga líderes como se fossem uma luz no fim do túnel, pois, o dia em que estes faltarem você pode ficar perdido(a), aprenda sim, com alguém que despertou antes de ti, mas, saiba que você também pode; deve contar apenas com você mesmo(a), siga sim a luz, mas, a sua luz interior, ela nunca irá deixá-lo(a) na mão, ninguém irá resolver nossos problemas, eles são nossos, portanto devemos lidar com eles, aprender com eles, tirar o que há de melhor deles. O intelecto humano será capaz de construir máquinas que farão coisas incríveis, no entanto, até que consiga criar uma que produza vibração, poderíamos aprender a utilizar nosso potencial para tal. Nada é impossível, se você assim quiser; tudo é impossível, se assim desejar, depende apenas de você, VONTADE. Desperte o Deus adormecido que há dentro de ti, alimente a chama poderosa, entretanto, adormecida, o combustível não está fora, procure dentro de si mesmo(a) e você vai encontrar uma fonte infinita para alimentar seu ser. Não permita que nenhum acontecimento externo afete seu equilíbrio interior, sua harmonia, se conseguir isto, haverá dado um grande passo em busca da evolução, não é fácil, mas, possível. Não tenha vergonha de revelar tudo que há de bom dentro de ti, mostre sua luz, ilumine tudo ao seu redor, não há do que se envergonhar.
Respeite as leis da Natureza (é uma questão de Física), lembre-se ação e reação, tudo que você desejar intensamente será manifestado, toda vibração que produzir, iniciará uma onda invisível, imperceptível, um movimento atômico, ou até mais sutil, irá atingir o alvo, entretanto ela, a energia, não estacionará ali, vai continuar, fazendo um movimento circular, saindo de onde o pensamento se iniciou, ganhando força (Efeito Borboleta), intensidade, potencialidade, até que retorne onde tudo começou. Por isso pense bem sobre seus sentimentos, alimente apenas bons pensamentos, apenas vibrações positivas. Livre-se dos preconceitos (julgar algo antes de conhecê-lo), para que não sofra com eles. "A ignorância é o véu invisível que cobre os olhos dos homens", como dizia Saint Germain. Ignoramos o que está a nossa frente porque assim desejamos, se quisermos podemos tomar conhecimento, basta ter vontade para tal, é a questão do preconceito, ele gera ignorância. As barreiras existêm porque as criamos, as desejamos, enxergamos a cor porque olhamos pra ela, ao invés de olharmos além dela. Fazemos uma inversão de valores, buscamos o TER, no entanto, deveríamos buscar o SER. Nada é por acaso, você decide, cria seu universo, toma a direção que desejar. Não existe o Mal necessário, Mal é Mal, aqui ou em qualquer lugar do Universo, assim como, o Bem é o Bem, onde quer que se manifeste, não há meio termo, não há mal necessário, não minta para si mesmo(a). Pensará positivo se assim quiser, nada poderá impedir de fazê-lo quando tiver vontade. Lembre-se só depende de você, use o discernimento, dê ouvidos à sua intuição, ouça sua voz interior, faça com que sua energia, sua vibração, seja tão intensa que atinja tudo ao seu redor, contamine a tudo e a todos com sua vibração positiva, deseje-a intensamente infinita, imagine-a alcançando todo o Universo.
Somos constituídos do mesmo elemento, sua mão não acaba onde começa a minha.
por Elizeu Nobre
Respeite as leis da Natureza (é uma questão de Física), lembre-se ação e reação, tudo que você desejar intensamente será manifestado, toda vibração que produzir, iniciará uma onda invisível, imperceptível, um movimento atômico, ou até mais sutil, irá atingir o alvo, entretanto ela, a energia, não estacionará ali, vai continuar, fazendo um movimento circular, saindo de onde o pensamento se iniciou, ganhando força (Efeito Borboleta), intensidade, potencialidade, até que retorne onde tudo começou. Por isso pense bem sobre seus sentimentos, alimente apenas bons pensamentos, apenas vibrações positivas. Livre-se dos preconceitos (julgar algo antes de conhecê-lo), para que não sofra com eles. "A ignorância é o véu invisível que cobre os olhos dos homens", como dizia Saint Germain. Ignoramos o que está a nossa frente porque assim desejamos, se quisermos podemos tomar conhecimento, basta ter vontade para tal, é a questão do preconceito, ele gera ignorância. As barreiras existêm porque as criamos, as desejamos, enxergamos a cor porque olhamos pra ela, ao invés de olharmos além dela. Fazemos uma inversão de valores, buscamos o TER, no entanto, deveríamos buscar o SER. Nada é por acaso, você decide, cria seu universo, toma a direção que desejar. Não existe o Mal necessário, Mal é Mal, aqui ou em qualquer lugar do Universo, assim como, o Bem é o Bem, onde quer que se manifeste, não há meio termo, não há mal necessário, não minta para si mesmo(a). Pensará positivo se assim quiser, nada poderá impedir de fazê-lo quando tiver vontade. Lembre-se só depende de você, use o discernimento, dê ouvidos à sua intuição, ouça sua voz interior, faça com que sua energia, sua vibração, seja tão intensa que atinja tudo ao seu redor, contamine a tudo e a todos com sua vibração positiva, deseje-a intensamente infinita, imagine-a alcançando todo o Universo.
Somos constituídos do mesmo elemento, sua mão não acaba onde começa a minha.
por Elizeu Nobre
segunda-feira, 5 de novembro de 2007
Onze
Cantares
Tudo passa e tudo fica
porém o nosso é passar,
passar fazendo caminhos
caminhos sobre o mar
Nunca persegui a glória
nem deixar na memória
dos homens minha canção
eu amo os mundos sutis
leves e gentis,
como bolhas de sabão
Gosto de ver-los pintar-se
de sol e graná voar
abaixo o céu azul, tremer
subitamente e quebrar-se...
Nunca persegui a glória
Caminhante, são tuas pegadas
o caminho e nada mais;
caminhante, não há caminho,
se faz caminho ao andar
Ao andar se faz caminho
e ao voltar a vista atrás
se vê a senda que nunca
se há de voltar a pisar
Caminhante não há caminho
senão há marcas no mar...
Faz algum tempo neste lugar
onde hoje os bosques se vestem de espinhos
se ouviu a voz de um poeta gritar
"Caminhante não há caminho,
se faz caminho ao andar"...
Golpe a golpe, verso a verso...
Morreu o poeta longe do lar
cobre-lhe o pó de um país vizinho.
Ao afastar-se lhe vieram chorar
"Caminhante não há caminho,
se faz caminho ao andar..."
Golpe a golpe, verso a verso...
Quando o pintassilgo não pode cantar.
Quando o poeta é um peregrino.
Quando de nada nos serve rezar.
"Caminhante não há caminho,
se faz caminho ao andar..."
Golpe a golpe, verso a verso.
Antonio Machado
tradução por Maria Teresa Almeida Pina
Tudo passa e tudo fica
porém o nosso é passar,
passar fazendo caminhos
caminhos sobre o mar
Nunca persegui a glória
nem deixar na memória
dos homens minha canção
eu amo os mundos sutis
leves e gentis,
como bolhas de sabão
Gosto de ver-los pintar-se
de sol e graná voar
abaixo o céu azul, tremer
subitamente e quebrar-se...
Nunca persegui a glória
Caminhante, são tuas pegadas
o caminho e nada mais;
caminhante, não há caminho,
se faz caminho ao andar
Ao andar se faz caminho
e ao voltar a vista atrás
se vê a senda que nunca
se há de voltar a pisar
Caminhante não há caminho
senão há marcas no mar...
Faz algum tempo neste lugar
onde hoje os bosques se vestem de espinhos
se ouviu a voz de um poeta gritar
"Caminhante não há caminho,
se faz caminho ao andar"...
Golpe a golpe, verso a verso...
Morreu o poeta longe do lar
cobre-lhe o pó de um país vizinho.
Ao afastar-se lhe vieram chorar
"Caminhante não há caminho,
se faz caminho ao andar..."
Golpe a golpe, verso a verso...
Quando o pintassilgo não pode cantar.
Quando o poeta é um peregrino.
Quando de nada nos serve rezar.
"Caminhante não há caminho,
se faz caminho ao andar..."
Golpe a golpe, verso a verso.
Antonio Machado
tradução por Maria Teresa Almeida Pina
domingo, 4 de novembro de 2007
Dez
"Em certo bosque, vivia um sábio que tinha vários discípulos. Ele lhes havia ensinado esta verdade: 'Deus reside em todas as coisas. Sabendo isto, devereis prostar-vos de joelhos ante todos os objetos'. Um discípulo saiu, certo dia, ao monte, para buscar lenha. Em seu caminho, viu um homem que conduzia um elefante furioso e ouviu que lhe gritava: 'Sai do caminho, afastai-vos! Este elefante está enfurecido!'. O discípulo, em vez de fugir, recordou a doutrina do mestre e pôs-se a raciocinar: 'Deus está no elefante tanto quanto em mim. Deus não pode ser molestado por Deus; então por que devo fugir?' Pensando assim, ficou onde estava e saudou o elefante que vinha sobre ele. O condutor (Mâhoot) continuava gritando: 'Afastai-vos, afastai-vos!', porém o discípulo não se moveu, até que foi violentamente colhido pelo irritado elefante e arrojado a um lado. O pobre moço, moído e ensangüentado, ficou inconsciente no solo. O sábio, ao saber do acidente, moveu-se com seus discípulos a leva-lo à casa. Quando, depois de algum tempo, o infortunado jovem recobrou a consciência e referiu o que lhe havia acontecido o sábio replicou: 'Filho meu, é verdade que Deus está manifestado em todas as coisas; porém, se Ele está no elefante, não está igualmente manifestado no condutor? Dizei-me, por que não prestastes atenção à advertência do condutor?'.
Sri Ramakrishna
Sri Ramakrishna
sábado, 3 de novembro de 2007
Nove
"Tempos depois contou-me outra história. Era um homem que amava sem esperanças. Tinha-se encerrado inteiramente em si mesmo e imaginava que se ia consumindo na chama de seu amor. O mundo desapareceu para ele. Não via o céu nem o bosque verde; não ouvia o murmúrio dos regatos nem os sons das harpas; tudo em seu redor se havia desfeito, deixando-o abandonado e miserável. Seu amor cresceu, contudo, de tal maneira, que preferiu consumir-se e morrer em sua fogueira do que renunciar à posse daquela mulher. E então sentiu que sua paixão devorava em si tudo aquilo que não fosse amor, tornava-se poderosa e impunha à amada distante uma imperiosa atração, fazendo-a correr para si.
Mas quando abriu os braços para recebê-la, achou-a transformada, e viu e sentiu, surpreendido, que atraíra para si todo o mundo perdido. Lá estava o mundo diante dele, ofertando-se por completo; céu, bosque e regato voltavam a ele com novas cores, cheios de vida e de luz, pertenciam-no e falavam sua linguagem. E em vez de ganhar apenas uma mulher, tinha o mundo inteiro em seu coração e cada uma das estrelas do céu resplandecia nele e irradiava prazer em toda sua alma...Havia amado, e amando encontrara a si mesmo. Mas a maioria dos homens amamam para se perder em seu amor."
de Demian, por Hermann Hesse
Mas quando abriu os braços para recebê-la, achou-a transformada, e viu e sentiu, surpreendido, que atraíra para si todo o mundo perdido. Lá estava o mundo diante dele, ofertando-se por completo; céu, bosque e regato voltavam a ele com novas cores, cheios de vida e de luz, pertenciam-no e falavam sua linguagem. E em vez de ganhar apenas uma mulher, tinha o mundo inteiro em seu coração e cada uma das estrelas do céu resplandecia nele e irradiava prazer em toda sua alma...Havia amado, e amando encontrara a si mesmo. Mas a maioria dos homens amamam para se perder em seu amor."
de Demian, por Hermann Hesse
segunda-feira, 29 de outubro de 2007
Oito
Os quatro místicos
"Quatro místicos estavam sentados à mesa diante de um jarro de vinho, até que o primeiro começa a falar:
- O aroma deste vinho me faz sentir o frescor e a brisa que vem das florestas, o fluxo relaxante dos rios...
O segundo continuou:
- Vejo neste vinho a beleza dos pássaros que voam livremente encantando a todos com seus lindos cantos...
O terceiro fechou os olhos ergueu as mãos ao céu e respondeu:
- Posso sentir neste vinho a suavidade com que a existência trata aqueles que conhecem o mistério de viver...
O quarto agarrou a jarra de vinho e disse:
- Como não confio tanto assim na visão, audição, tato, olfato...
Atenho-me a provar deste vinho e sentir toda a sua natureza diretamente.
Então este último levou o jarro de vinho à boca e bebeu até a última gota.
E todos os outros olhavam para ele espantados e sem palavras.
Como vc pode fazer isto amigo? - Foi perguntado.
Que tipo de místico tu és?
- O tipo certo meu amigo, aquele que vive da experiência e não aquele que vive somente por palavras, por conceitos..."
(autoria desconhecida)
"Quatro místicos estavam sentados à mesa diante de um jarro de vinho, até que o primeiro começa a falar:
- O aroma deste vinho me faz sentir o frescor e a brisa que vem das florestas, o fluxo relaxante dos rios...
O segundo continuou:
- Vejo neste vinho a beleza dos pássaros que voam livremente encantando a todos com seus lindos cantos...
O terceiro fechou os olhos ergueu as mãos ao céu e respondeu:
- Posso sentir neste vinho a suavidade com que a existência trata aqueles que conhecem o mistério de viver...
O quarto agarrou a jarra de vinho e disse:
- Como não confio tanto assim na visão, audição, tato, olfato...
Atenho-me a provar deste vinho e sentir toda a sua natureza diretamente.
Então este último levou o jarro de vinho à boca e bebeu até a última gota.
E todos os outros olhavam para ele espantados e sem palavras.
Como vc pode fazer isto amigo? - Foi perguntado.
Que tipo de místico tu és?
- O tipo certo meu amigo, aquele que vive da experiência e não aquele que vive somente por palavras, por conceitos..."
(autoria desconhecida)
quarta-feira, 24 de outubro de 2007
Sete
[Tinha um Menino que Saía]
"Tinha um menino que saía todo dia,
E a primeira coisa que ele olhava e recebia com surpresa ou pena ou amor ou medo, naquela coisa ele virava,
E aquela coisa virava parte dele o dia todo ou parte do dia....ou por muitos anos ou longos ciclos de anos.
Os primeiros lilases viraram parte dele,
E a relva, e as ipoméias brancas e vermelhas, e o trevo branco e vermelho, e o pio da tesourinha,
E os cordeiros de março, e a ninhada rosa tênue da porca, e o potro, e o bezerro, e o filhote barulhento no curral ou na lama do açude..e os peixes suspensos lá embaixo de um jeito curioso..e o líquido bonito e esquisito..e os aguapés com suas cabeças chatas e graciosas..tudo virava parte dele.
E os brotos de abril e maio viravam parte dele....brotos de inverno, do milho amarelo-claro, das raízes comestíveis do jardim,
E macieiras carregadas de flores, e de frutas depois....os morangos silvestres..e os capins mais banais à beira da estrada;
E o velho bêbado cambaleando a caminho de casa saindo da taverna de onde acabou de levantar,
E a professora a caminho da escola..e os garotos simpáticos passando..e os garotos briguentos..e as garotas arrumadas e coradas..e o negrinho e a negrinha descalços,
E todas as metamorfoses da cidade e do campo onde quer ele fosse.
Seus próprios pais..ele que de noite espirrou o esperma paterno, e o gerou..e ela que o concebeu em seu ventre e o gerou....eles deram a este menino muito mais que isto.
Deram a si mesmos para ele todos os dias....viraram parte dele.
A mãe em casa em silêncio pondo os pratos na mesa de jantar,
Mãe de palavras meigas....de touca e vestidos limpos....um odor saudável emana de sua pessoa e roupas quando ela passa:
O pai, forte, auto-suficiente, machista, mesquinho, irritado, injusto,
A pancada, a palavra alta e brusca, a barganha difícil, a mentira bem-bolada,
Os costume de família, a linguagem, a companhia, a mobília....o coração carente e intumescido,
Carinho que não se discute....O sentido do real....a suspeita disso tudo afinal ser irreal,
As dúvidas do dia e da noite...o curioso se e como,
Se aquilo que parece ser é de verdade....ou tudo não passa de partículas e chispas?
Homens e mulheres se aglomerando na correria das ruas..se não são partículas e chispas, serão o quê?
As ruas mesmas, e as fachadas das casas....os produtos nas vitrines,
Carros..parelhas..o cais e suas pranchas pesadas..e o imenso vai-e-vem das balsas;
A vila na montanha vista de longe ao pôr-do-sol....e o rio no meio,
Sombras..auréola e neblina..luz batendo nos telhados e empenas brancas e marrons a cinco quilômetros daqui,
A escuna bem perto descendo sonolenta a maré..o barquinho sendo rebocado pela popa na vazante,
As ondas apressadas e as cristas estilhaçadas se estapeando;
E os estratos coloridos das nuvens....longa faixa de matiz marrom na distância solitária em si mesma....a pura expansão onde ela jaz imóvel,
Na linha do horizonte, volante corvo marinho, fragrância de salina e areia úmida;
Todas essas coisas fazem parte do menino que saía todo dia, e que agora vai embora e mais distante a cada dia,
E agora podem ser também de quem lê-las com atenção."
Walt Whitman
"Tinha um menino que saía todo dia,
E a primeira coisa que ele olhava e recebia com surpresa ou pena ou amor ou medo, naquela coisa ele virava,
E aquela coisa virava parte dele o dia todo ou parte do dia....ou por muitos anos ou longos ciclos de anos.
Os primeiros lilases viraram parte dele,
E a relva, e as ipoméias brancas e vermelhas, e o trevo branco e vermelho, e o pio da tesourinha,
E os cordeiros de março, e a ninhada rosa tênue da porca, e o potro, e o bezerro, e o filhote barulhento no curral ou na lama do açude..e os peixes suspensos lá embaixo de um jeito curioso..e o líquido bonito e esquisito..e os aguapés com suas cabeças chatas e graciosas..tudo virava parte dele.
E os brotos de abril e maio viravam parte dele....brotos de inverno, do milho amarelo-claro, das raízes comestíveis do jardim,
E macieiras carregadas de flores, e de frutas depois....os morangos silvestres..e os capins mais banais à beira da estrada;
E o velho bêbado cambaleando a caminho de casa saindo da taverna de onde acabou de levantar,
E a professora a caminho da escola..e os garotos simpáticos passando..e os garotos briguentos..e as garotas arrumadas e coradas..e o negrinho e a negrinha descalços,
E todas as metamorfoses da cidade e do campo onde quer ele fosse.
Seus próprios pais..ele que de noite espirrou o esperma paterno, e o gerou..e ela que o concebeu em seu ventre e o gerou....eles deram a este menino muito mais que isto.
Deram a si mesmos para ele todos os dias....viraram parte dele.
A mãe em casa em silêncio pondo os pratos na mesa de jantar,
Mãe de palavras meigas....de touca e vestidos limpos....um odor saudável emana de sua pessoa e roupas quando ela passa:
O pai, forte, auto-suficiente, machista, mesquinho, irritado, injusto,
A pancada, a palavra alta e brusca, a barganha difícil, a mentira bem-bolada,
Os costume de família, a linguagem, a companhia, a mobília....o coração carente e intumescido,
Carinho que não se discute....O sentido do real....a suspeita disso tudo afinal ser irreal,
As dúvidas do dia e da noite...o curioso se e como,
Se aquilo que parece ser é de verdade....ou tudo não passa de partículas e chispas?
Homens e mulheres se aglomerando na correria das ruas..se não são partículas e chispas, serão o quê?
As ruas mesmas, e as fachadas das casas....os produtos nas vitrines,
Carros..parelhas..o cais e suas pranchas pesadas..e o imenso vai-e-vem das balsas;
A vila na montanha vista de longe ao pôr-do-sol....e o rio no meio,
Sombras..auréola e neblina..luz batendo nos telhados e empenas brancas e marrons a cinco quilômetros daqui,
A escuna bem perto descendo sonolenta a maré..o barquinho sendo rebocado pela popa na vazante,
As ondas apressadas e as cristas estilhaçadas se estapeando;
E os estratos coloridos das nuvens....longa faixa de matiz marrom na distância solitária em si mesma....a pura expansão onde ela jaz imóvel,
Na linha do horizonte, volante corvo marinho, fragrância de salina e areia úmida;
Todas essas coisas fazem parte do menino que saía todo dia, e que agora vai embora e mais distante a cada dia,
E agora podem ser também de quem lê-las com atenção."
Walt Whitman
terça-feira, 23 de outubro de 2007
Seis
Monte Castelo
Ainda que eu falasse a língua dos homens
E falasse a língua dos anjos,
Sem amor eu nada seria.
É só o amor, é só o amor
Que conhece o que é verdade
O amor é bom, não quer o mal
Não sente inveja ou se envaidece.
Amor é fogo que arde sem se ver
É ferida que dói e não se sente
É um contentamento descontente
É dor que desatina sem doer.
É um não querer mais que bem querer
É solitário andar por entre a gente
É um não contentar-se de contente
É cuidar que se ganha em se perder.
É um estar-se preso por vontade
É servir a quem vence, o vencedor;
É um ter com quem nos mata a lealdade.
Tão contrário a si é o mesmo amor.
Estou acordado e todos dormem todos dormem todos dormem
Agora vejo em parte
Mas então veremos face a face.
É só o amor, é só o amor
Que conhece o que é verdade.
(Composição de Renato Russo
- Adaptação de "I Coríntios 13" e "Soneto 11" de Luís de Camões)
Ainda que eu falasse a língua dos homens
E falasse a língua dos anjos,
Sem amor eu nada seria.
É só o amor, é só o amor
Que conhece o que é verdade
O amor é bom, não quer o mal
Não sente inveja ou se envaidece.
Amor é fogo que arde sem se ver
É ferida que dói e não se sente
É um contentamento descontente
É dor que desatina sem doer.
É um não querer mais que bem querer
É solitário andar por entre a gente
É um não contentar-se de contente
É cuidar que se ganha em se perder.
É um estar-se preso por vontade
É servir a quem vence, o vencedor;
É um ter com quem nos mata a lealdade.
Tão contrário a si é o mesmo amor.
Estou acordado e todos dormem todos dormem todos dormem
Agora vejo em parte
Mas então veremos face a face.
É só o amor, é só o amor
Que conhece o que é verdade.
(Composição de Renato Russo
- Adaptação de "I Coríntios 13" e "Soneto 11" de Luís de Camões)
Cinco
"Louvor a ti, alma eterna, rei afortunado!
Doador da alma em todos os tempos,
sol de todos os países.
Este mundo e o outro
são escravos de tuas ordens.
Feitos ao teu capricho, destrói ou preserva-os!
Ilumina a existência com um raio do sol da pobreza,
liberta todos os seres
do desejo do Paraíso e do temor do inferno,
exceto os que se deleitam com a penúria
dessa vergonha que é a vida.
Por amor ao artista,
destrói todas as pinturas e imagens.
O tirano que derramou o sangue
de centenas de milhares de homens
arde na tua chama,
é tu, senhor da alegria eterna!
Quem conquista os segredos de tua graça
escapa da existência
e se apaga na miséria.
Resignada, a alma se aniquila
quando te vê tal qual o ouro
a rugir feliz dentro do fogo.
Tu, que dás origem à mina de ouro
e às gemas preciosas, decerto desprezas
as pedras filosofais de nosso mundo.
Se o corpo terreno se torna, inteiro, pedra filosofal,
graças a Shams de Tabriz,
pelo brilho desta pedra
transmuta o cobre de teu ser!"
Jalal ud-Din Rumi
Doador da alma em todos os tempos,
sol de todos os países.
Este mundo e o outro
são escravos de tuas ordens.
Feitos ao teu capricho, destrói ou preserva-os!
Ilumina a existência com um raio do sol da pobreza,
liberta todos os seres
do desejo do Paraíso e do temor do inferno,
exceto os que se deleitam com a penúria
dessa vergonha que é a vida.
Por amor ao artista,
destrói todas as pinturas e imagens.
O tirano que derramou o sangue
de centenas de milhares de homens
arde na tua chama,
é tu, senhor da alegria eterna!
Quem conquista os segredos de tua graça
escapa da existência
e se apaga na miséria.
Resignada, a alma se aniquila
quando te vê tal qual o ouro
a rugir feliz dentro do fogo.
Tu, que dás origem à mina de ouro
e às gemas preciosas, decerto desprezas
as pedras filosofais de nosso mundo.
Se o corpo terreno se torna, inteiro, pedra filosofal,
graças a Shams de Tabriz,
pelo brilho desta pedra
transmuta o cobre de teu ser!"
Jalal ud-Din Rumi
Quatro
"Muitos sentem a necessidade de criar um mundo novo e melhor. Em vez de permitir que seus pensamentos se demorem nestes assuntos, você deveria se concentrar Naquele em cuja contemplação está a esperança da perfeita paz. É dever do homem procurar Deus ou a Verdade."
Anandamayi Ma
Anandamayi Ma
Três
"Numa ilha viviam três velhos eremitas. Eram tão simples que usavam apenas esta oração: 'Nós somos três; Tu és três - tem piedade de nós.' Grandes milagres se manifestavam durante a iingênua prece.
"O bispo da região soube da existência dos três eremitas e da sua inadmissível oração, e decidiu visitá-los para lhes ensinar as invocações canônicas. Chegou à ilha, disse aos eremitas que aquela petição aos céus era indigna e ensinou muitas das orações habituais. Depois foi embora de barco. Atrás do barco, viu uma luz radiante. Â medida que a luz se aproximava, distinguiu os três eremitas, de mãos dadas, correndo sobre as ondas, no esforço de alcançar o barco.
"- Esquecemos as preces que nos ensinou - gritaram, quando alcançaram o bispo - e corremos para pedir que ensine de novo. - O bispo, assombrado, sacudiu a cabeça.
"Meus queridos - respondeu, humildemente - continuem a viver com a antiga oração!"
Paramahansa Yogananda
"O bispo da região soube da existência dos três eremitas e da sua inadmissível oração, e decidiu visitá-los para lhes ensinar as invocações canônicas. Chegou à ilha, disse aos eremitas que aquela petição aos céus era indigna e ensinou muitas das orações habituais. Depois foi embora de barco. Atrás do barco, viu uma luz radiante. Â medida que a luz se aproximava, distinguiu os três eremitas, de mãos dadas, correndo sobre as ondas, no esforço de alcançar o barco.
"- Esquecemos as preces que nos ensinou - gritaram, quando alcançaram o bispo - e corremos para pedir que ensine de novo. - O bispo, assombrado, sacudiu a cabeça.
"Meus queridos - respondeu, humildemente - continuem a viver com a antiga oração!"
Paramahansa Yogananda
Dois
"Para se isolar, o Homem necessita retirar-se a um tempo dos seus aposentos e da sociedade. Não me sinto solitário enquanto leio ou escrevo, ainda que mais ninguém esteja junto de mim. Mas, se um homem quiser permanecer só, que contemple as estrelas. Os raios que provêm desses mundos celestiais farão a distinção entre si mesmos e aquilo em que tocam.
As estrelas suscitam uma certa reverência porque apesar de presentes são sempre inacessíveis; no entanto, todos os objectos naturais causam uma impressão semelhante, se a mente se achar aberta à sua influência. A natureza jamais enverga qualquer aparência malévola. O homem mais sábio é incapaz de apreender o seu segredo e perde a curiosidade ao descobrir toda a sua perfeição. Para a mente sábia jamais a natureza se transformou num mero brinquedo. As flores, os animais, as montanhas, reflectem a sabedoria da sua melhor idade, do mesmo modo que deliciaram a simplicidade da sua infância.
Quando falamos da natureza deste modo, não deixamos de ter em mente um sentido distinto mas bastante poético: pretendemos significar a integridade da sensação provocada pelos multifacetados objectos naturais. É esta que distingue o toro de madeira do cortador de lenha da árvore do poeta.
A encantadora paisagem que vi esta manhã é, indubitavelmente, constituída por vinte ou trinta quintas. Este é o campo do Miller, aquele do Locke e a mata mais além é do Manning. Mas nenhum deles é dono da paisagem. Há no horizonte uma paisagem que nenhum homem possui, excepto aquele cujo olhar for capaz de integrar todas as partes, ou seja, o poeta. É essa a melhor parcela das quintas de tais indivíduos, no entanto é justamente essa que não é nomeada nos títulos de propriedade.
Para dizer a verdade, poucos adultos conseguem perceber a Natureza. A maior parte das pessoas não vêem o sol. Pelo menos têm um ver bastante superficial. O sol ilumina apenas, aos olhos dos homens, mas brilha aos olhos e no coração da criança. O amante da natureza é aquele cujos sentidos exteriores e interiores se acham ainda verdadeiramente ajustados uns aos outros; o que preservou o espírito da infância mesmo na idade adulta. A sua relação com o céu e a terra é parte da nua nutrição diária. Na presença da Natureza, um incontrolável deleite percorre este homem, apesar dos desgostos que sofre. A Natureza afirma: - “ele é criatura minha, e malgrado todo o seu sofrimento importuno, sentir-se-á feliz comigo”.
Já uma vez, ao crepúsculo, quando atravessava um campo aberto coberto de charcos de neve derretida sob um céu nublado, sem que os meus pensamentos se achassem ocupados com qualquer acontecimento especialmente feliz, senti tal exaltação completa. Senti-me satisfeito até ao limite do medo. Também nos bosques um homem se despe dos anos como a cobra da pele, permanecendo sempre criança, qualquer que seja a sua idade. Existe nos bosques uma juventude perpétua. Nestas plantações divinas onde reinam decoro e santidade, está sempre preparado um perene festim de tal modo que, o convidado não vê que se possa fartar ainda que passem mil anos. Nos bosques voltamos à razão e á fé.
Aí sinto que nada me pode acontecer na vida
- nem desgraça nem calamidade - que a natureza não possa reparar. De pé sobre a terra nua, com a cabeça banhada pelo ar festivo e transportada ao espaço infinito, todo o egoísmo mesquinho se desvanece. Transformo-me num globo ocular transparente; não sou nada mas tudo percebo; as correntes do Ser Universal circulam através de mim; sou parte ou parcela de Deus. Sou o amante da beleza livre e imortal. No deserto encontro algo mais caro e mais inato do que nas ruas e aldeias. Na paisagem tranquila, especialmente na distante linha do horizonte, o Homem vislumbra algo tão belo quanto a sua própria natureza.
O maior prazer que os campos e os bosques podem proporcionar é o da sugestão de uma relação oculta entre o homem e as plantas. Não me encontro só sem reconhecimento. Elas cumprimentam-me e eu a elas. O agitar dos rebentos na tempestade é para mim, a um só tempo novo e velho. Surpreende-me e no entanto não me é desconhecido. O seu efeito é como se sobre mim descesse um pensamento mais elevado ou uma emoção mais apurada, quando supunha estar a pensar com justeza ou a actuar com exactidão..."
R.W. Emerson
As estrelas suscitam uma certa reverência porque apesar de presentes são sempre inacessíveis; no entanto, todos os objectos naturais causam uma impressão semelhante, se a mente se achar aberta à sua influência. A natureza jamais enverga qualquer aparência malévola. O homem mais sábio é incapaz de apreender o seu segredo e perde a curiosidade ao descobrir toda a sua perfeição. Para a mente sábia jamais a natureza se transformou num mero brinquedo. As flores, os animais, as montanhas, reflectem a sabedoria da sua melhor idade, do mesmo modo que deliciaram a simplicidade da sua infância.
Quando falamos da natureza deste modo, não deixamos de ter em mente um sentido distinto mas bastante poético: pretendemos significar a integridade da sensação provocada pelos multifacetados objectos naturais. É esta que distingue o toro de madeira do cortador de lenha da árvore do poeta.
A encantadora paisagem que vi esta manhã é, indubitavelmente, constituída por vinte ou trinta quintas. Este é o campo do Miller, aquele do Locke e a mata mais além é do Manning. Mas nenhum deles é dono da paisagem. Há no horizonte uma paisagem que nenhum homem possui, excepto aquele cujo olhar for capaz de integrar todas as partes, ou seja, o poeta. É essa a melhor parcela das quintas de tais indivíduos, no entanto é justamente essa que não é nomeada nos títulos de propriedade.
Para dizer a verdade, poucos adultos conseguem perceber a Natureza. A maior parte das pessoas não vêem o sol. Pelo menos têm um ver bastante superficial. O sol ilumina apenas, aos olhos dos homens, mas brilha aos olhos e no coração da criança. O amante da natureza é aquele cujos sentidos exteriores e interiores se acham ainda verdadeiramente ajustados uns aos outros; o que preservou o espírito da infância mesmo na idade adulta. A sua relação com o céu e a terra é parte da nua nutrição diária. Na presença da Natureza, um incontrolável deleite percorre este homem, apesar dos desgostos que sofre. A Natureza afirma: - “ele é criatura minha, e malgrado todo o seu sofrimento importuno, sentir-se-á feliz comigo”.
Já uma vez, ao crepúsculo, quando atravessava um campo aberto coberto de charcos de neve derretida sob um céu nublado, sem que os meus pensamentos se achassem ocupados com qualquer acontecimento especialmente feliz, senti tal exaltação completa. Senti-me satisfeito até ao limite do medo. Também nos bosques um homem se despe dos anos como a cobra da pele, permanecendo sempre criança, qualquer que seja a sua idade. Existe nos bosques uma juventude perpétua. Nestas plantações divinas onde reinam decoro e santidade, está sempre preparado um perene festim de tal modo que, o convidado não vê que se possa fartar ainda que passem mil anos. Nos bosques voltamos à razão e á fé.
Aí sinto que nada me pode acontecer na vida
- nem desgraça nem calamidade - que a natureza não possa reparar. De pé sobre a terra nua, com a cabeça banhada pelo ar festivo e transportada ao espaço infinito, todo o egoísmo mesquinho se desvanece. Transformo-me num globo ocular transparente; não sou nada mas tudo percebo; as correntes do Ser Universal circulam através de mim; sou parte ou parcela de Deus. Sou o amante da beleza livre e imortal. No deserto encontro algo mais caro e mais inato do que nas ruas e aldeias. Na paisagem tranquila, especialmente na distante linha do horizonte, o Homem vislumbra algo tão belo quanto a sua própria natureza.
O maior prazer que os campos e os bosques podem proporcionar é o da sugestão de uma relação oculta entre o homem e as plantas. Não me encontro só sem reconhecimento. Elas cumprimentam-me e eu a elas. O agitar dos rebentos na tempestade é para mim, a um só tempo novo e velho. Surpreende-me e no entanto não me é desconhecido. O seu efeito é como se sobre mim descesse um pensamento mais elevado ou uma emoção mais apurada, quando supunha estar a pensar com justeza ou a actuar com exactidão..."
R.W. Emerson
Um
"Chega um momento, na educação de todo o indivíduo, em que ele se convence de que a inveja é ignorância; de que a imitação é suicídio; de que deve procurar saber aceitar-se a si mesmo para o melhor e para o pior, conforme a sorte que lhe coube; de que mesmo que o bem abunde no universo nenhum grão nutriente poderá alcançar sem ser por intermédio do labor que consagre ao bocado de terra que lhe foi dado a cultivar. O poder que nele reside é, por natureza, novo, e ninguém senão ele próprio pode saber o que pode fazer; além disso não o saberá senão quando o experimentar."
R.W. Emerson
R.W. Emerson
Assinar:
Postagens (Atom)